Paris há uns anos. Pont des Arts, aquela ponte cheiinha de cadeados com nomes de casais e mensagens românticas. Eu e o namorado numa das primeiras viagens que fizemos juntos. Ah que romântico, que cliché, que piroso, que mimimi. Reza a lenda que a chave deve ser lançada longe para simbolizar o amor inquebrável [estou a citar a wikipedia, fonte inesgotável de resposta a todas as dúvidas existenciais, sociais, éticas, históricas, biológicas, geográficas, culturais e pessoais].
Vá de comprar um cadeado, escrever os nossos nomes e proceder à tarefa hercúlea de arranjar um espacinho livre para prender o nosso. O homem pega na chave confiante, vira-se de costas para o rio e, num momento solene, atira-a à água. PLIM. Que som estranho! Vamos a correr espreitar. A maldita chave não caiu ao rio. Ele conseguiu a proeza de a fazer voar até ao espacinho exíguo que é o tabuleiro da ponte, do lado de lá do gradeamento. Pfffff, depois querem que eu seja romântica!